Periódicos que publicam estudos epidemiológicos

Para quem quer conhecer mais e acompanhar a área de conhecimento recomendo alguns periódicos. Esta lista será atualizada sempre que possível. Caso tenha alguma sugestão, por favor deixe nos comentários e eu incluirei na lista.

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Fundamentos de epidemiologia: Série de casos

No post anterior, comentei do relato de caso, neste comentarei sobre a série de casos. No relato de caso temos a descrição detalhada de um caso raro ou relevante. Na série de casos temos um conjunto de casos. Algumas revistas que aceitam relato de casos, quando há mais de 5 casos aceita como artigo de pesquisa e não como relato de caso. Essa quantidade pode variar de revista para revista. É importante verificar a política editorial da revista e de artigos publicados anteriormente.

É mais difícil ter um conjunto de casos do que um caso único para relatar. Por isso o número de registros no PubMed de série de casos é bem menor do que os relatos de caso.

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Veja um exemplo de série de casos publicado nos anos 80 “Clinical and bronchoscopic diagnosis of suspected pneumonia related to AIDS”

É um desenho de estudo muito similar ao relato de caso e pode ser usado o The CARE Guidelines: Consensus-based Clinical Case Reporting Guideline Development da mesma forma só que com o número maior de casos.

Este post faz parte de uma série chamada Fundamentos da epidemiologia. Para saber mais acesse aqui.

Photo by Anita Austvika on Unsplash

Fundamentos de epidemiologia: Relato de caso

O relato de caso tem um lugar importante na comunicação científica e nos desenhos de estudos. É por meio dele que são descritas doenças raras e situações relevantes. Também é de utilidade para a prática clínica e para o ensino e aprendizagem, pois é um relato detalhado e centrado na experiência do individuo.

Hoje no PubMed são registrados mais de 2 milhões de relatos de caso. É um tipo de artigo muito comum em revistas.

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Veja aqui os primeiros relatos de caso como eram descritos.

Para descrever um relato de caso é recomendável o uso do CARE case report guidelines desenvolvido pelo grupo CARE em 2013, as diretrizes fornecem uma estrutura para descrição mais abrangente e fará você não esquecer nenhuma informação.

Veja aqui a lista de informações que compõe o relato de caso  CARE Checklist (2013) of information to include when writing a case report 

Journal of Medical Case Report

Um periódico científico só de relatos de caso. Veja aqui.

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Fundamentos de epidemiologia: desenho de estudo

Quando se fala em hierarquia de evidências, o primeiro tópico que me vem a mente é o desenho do estudo. Nesse sentido, uma das áreas que mais se desenvolveu no aspecto de sistematização do delineamento metodológico foi a epidemiologia, pois seus desenhos são bem definidos e hoje temos diretrizes para relatos destes estudos. Você pode conhecer mais sobre isso na Rede Equator, que é uma iniciativa para melhorar a qualidade dos relatos das pesquisas em saúde e promover a transparência.

O ideal é utilizá-las no ensino e no estudo da epidemiologia para melhorar a compreensão da organização da informação do método epidemiológico.

Hierarquia de evidências em ordem decrescente

  • Revisão de revisão sistemática
  • Revisão sistemática e metanálise
  • Ensaio clínico randomizado
  • Estudo de coorte
  • Estudo caso-controle
  • Estudo seccional/transversal
  • Estudo ecológico
  • Relato de caso/série de casos

Nos próximos posts comentarei cada um deles e linkarei aqui. Neste post, farei uma visão geral tipo sumário.

Estudos descritivos

  • Relato de caso
  • Série de casos
  • Estudo seccional/transversal

Estudos analíticos

Observacionais

  • Estudo caso-controle
  • Estudo de coorte

Experimentais

  • Ensaio clínico randomizado
  • Ensaio de campo ou comunitário

De maneira geral, o desenho do estudo deve estar declarado na seção método, no título, no resumo e nas palavras chave para que tenha possibilidade de recuperação da informação. Infelizmente, isso muitas vezes não acontece. Não é declarado e isso reflete na qualidade do relato da pesquisa.

Uma dica para saber o desenho do estudo quando ele não é declarado na descrição do método, é verificar como foi realizada a seleção dos participantes da pesquisa. Como a informação foi obtida. Cada desenho tem a sua estratégia. Vamos falar disso em cada desenho.

Veja este artigo educativo sobre a classificação

Classification of epidemiological study designs 

Como você identifica o desenho de estudo no relato da pesquisa?

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Fundamentos de epidemiologia: o ensino

Nesta série abordo alguns tópicos dos Fundamentos de Epidemiologia. Este post eu falo sobre o ensino. Infelizmente, temos poucos estudos sobre o ensino e a aprendizagem da epidemiologia no Brasil e no mundo.

Nos últimos anos o avanço do conhecimento epidemiológico, dos métodos e da interface com o desenvolvimento tecnológico é notório. O campo cresceu rapidamente e hoje é o principal eixo estruturante da saúde pública. O artigo From Smallpox to Big Data: The Next 100 Years of Epidemiologic Methods os autores descrevem tal avanço.

Neste contexto, a formação de pessoas aumentou, atualmente o Brasil tem seis cursos de pós-graduação em Epidemiologia em nível stricto sensu. Ainda tem outras formações, como o  EPISUS, um programa de treinamento em epidemiologia aplicada aos serviços de sistema único de saúde. Também nos cursos de graduação das Ciências da Saúde a disciplina de epidemiologia é presente. Entretanto, o espaço para discussões sobre o ensino limita-se aos congressos de epidemiologia.

No artigo Tendências no ensino da epidemiologia no Brasil Rita Barata, descreve o processo histórico do ensino da epidemiologia no Brasil e aponta questões emergentes em meados dos anos 90.

Há indícios que nos anos 80, se discutia bem mais sobre o ensino de epidemiologia do que nos dias atuais. De fato, nesses anos a busca pela consolidação era muito maior e não havia a amplitude da inserção no ensino como hoje. Entretanto, ainda temos questões não resolvidas e o ensino da epidemiologia tornou-se muito mais complexo.

No artigo, Teaching epidemiology in Australia and New Zealand: What are the core and advanced concepts for epidemiological practitioners and researchers?

Os autores relatam que em junho de 2014, um grupo de professores de epidemiologia experientes das universidades da Nova Zelândia e da Austrália reuniram-se por dois dias para falar sobre o ensino de epidemiologia nos níveis de graduação e pós-graduação.

Isso surgiu de discussões informais que identificaram uma série de desafios emergentes que enfrentamos no ensino de epidemiologia.

  1. Primeiro, existem questões práticas. Estamos ensinando cada vez mais estudantes que são altamente heterogêneos em habilidades, origens e necessidades profissionais em relação ao conhecimento epidemiológico; e, em alguns casos, não está claro que nosso ensino de epidemiologia atenda aos requisitos da prática profissional dos alunos atuais.
  2. Em segundo lugar, essa heterogeneidade combinada com um número limitado de alunos dificulta a oferta de aulas que atendam às suas diversas necessidades. Por exemplo, o número de alunos geralmente é pequeno demais para sustentar cursos em métodos avançados ou especializados em epidemiologia.
  3. Terceiro, faltam pesquisas sobre as melhores abordagens pedagógicas para o ensino de epidemiologia e a falta de recursos de apoio para professores de epidemiologia.
  4. Em quarto lugar, dados numerosos avanços metodológicos, tecnológicos e conceituais recentes em epidemiologia, os professores de epidemiologia estão enfrentando desafios sobre como e quando incorporar esses avanços e como acompanhar esses conceitos e métodos.

Stephen J. Gange, professor de Johns Hopkins também sinaliza no artigo  Teaching epidemiologic methods

  1. A definição do escopo dos métodos epidemiológicos
  2. Um currículo para população estudantil heterogenia
  3. A necessidade de computação e exercícios práticos
  4. Uma maior atenção a educação epidemiológica

Ainda neste artigo Gange faz uma proposta direcionada para:

  • Conhecimento básico sobre métodos epidemiológicos para estabelecer terminologia e interpretação básica.
  • Uso de métodos epidemiológicos para aumentar a capacidade de estudantes de interpretar e avaliar os desenhos de estudos e métodos de análise epidemiológica.
  • Prática de métodos epidemiológicos para preparar  estudantes para realização de pesquisas epidemiológicas e comunicar essa pesquisa a outros epidemiologistas e profissionais de outras áreas.
  • Ensinar métodos epidemiológicos para preparar estudantes para desenvolverem seus próprios programas e abordagem de ensino.

Bem, esta série tem como objetivo abordar alguns tópicos, se você tem sugestões deixe nos comentários.

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Fundamentos de epidemiologia: a definição

A partir de hoje até junho, eu estarei postando uma série temática chamada: Fundamentos de Epidemiologia. A principal motivação Epidemiologia é a minha última disciplina no doutorado. Também poderia listar que:

  • É um eixo estruturante da saúde coletiva
  • Seus conceitos e desenhos de estudos norteiam a prática baseada em evidências científicas
  • Amplia o olhar para outros temas de pesquisa

Entre tantos outros motivos, registrar essa etapa é um processo que me apoia na organização e evolução dos meus estudos.

Os primórdios do meu interesse pela Epidemiologia

Antes que eu tivesse qualquer conhecimento epidemiológico, eu me encantei com a investigação de epidemias dos seriados da TV. Quem nunca!

Já na faculdade, eu cursei epidemiologia, gostei e fui fazer estágio voluntário na vigilância epidemiológica da cidade. Com a vida profissional acabei me distanciando e só voltei a estudar Epidemiologia no mestrado e no doutorado, a qual não me desenvolvi como gostaria.

Nesta série vou resgatar os Fundamentos de Epidemiologia

A definição

Existe muitas definições para Epidemiologia. A que eu particularmente mais gosto e uso é esta:

Estudos das distribuições e determinantes de estados de saúde ou eventos relacionados à saúde em populações e  aplicação dos resultados desses estudos ao controle de problemas de saúde nessas populações

Porta M. Dictionary of Epidemiology, 2014

Entretanto, não é a única. Para abrir a série, trago um artigo de revisão das definições de epidemiologia.

What is epidemiology? Changing definitions of epidemiology 1978-2017

Neste artigo publicado em 2018 na PLOS ONE, um grupo de pesquisadores franceses revisaram publicações e a literatura cinzenta para identificar novas definições de epidemiologia disponíveis desde 1978. Também incluíram as subespecificidades que com a evolução da área se multiplicaram.

Foram localizadas 102 definições e destacados os termos recorrentes. Entre eles população, grupo, estudo de algo, ciência, saúde, doença. 

A revisão fez uma síntese de diferentes conceitos relacionados a epidemiologia ao longo de 40 anos.

Veja a tabela com a frequência dos termos de 1978 a 2017

Tabela 3
Acesse o artigo

Na minha opinião, o artigo é importante para apoiar debates terminológicos, de representação do conhecimento e evolução da epidemiologia como campo de conhecimento. Além de ter a estratégia metodológica bem desenhada para responder o que se propõe. Podendo ser reproduzida em outras temáticas.

Para saber mais acesse:

Frérot M, Lefebvre A, Aho S, Callier P, Astruc K, Aho Glélé LS (2018) What is epidemiology? Changing definitions of epidemiology 1978-2017. PLoS ONE 13(12): e0208442. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0208442

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