4 coisas que aprendi com Ana Holanda e sua escrita afetuosa

4 coisas que aprendi com Ana Holanda e sua escrita afetuosa

Eu comecei a ler o que Ana Holanda escrevia em Minha mãe fazia, uma página do Facebook com relatos sobre cozinha e memórias da infância. Fez tanto sucesso que em 2017 virou o livro Minha mãe fazia – crônicas  e receitas saborosas e cheias de afeto.  Talvez eu tenha lido algum texto da Ana antes, porém eu não registrei a sua pessoa.

O meu registro era somente de editora-chefe da revista Vida Simples. Foi com os textos da página Minha mãe fazia que eu descobri o gosto do seu estilo de escrita, dá proximidade com a autora. Eu já lia Eliane Brum há muitos anos, e via o quanto o cotidiano da vida tinha histórias incríveis e invisíveis. Esses personagens tão ocultos não teriam o alcance sem a vivacidade da escrita que afeta.

A escrita afetuosa é um termo cunhado por Ana Holanda, que ministra cursos sobre o tema e recentemente, lançou o livro Como se encontrar na escrita, o caminho para despertar a escrita afetuosa em você. Editado pela Bicicleta amarela selo da Editora Rocco.

Eu li o livro e fiz o curso 🙂

Comprei o livro assim que lançou. Comecei a leitura e realmente me senti afetada por todas aquelas palavras, histórias e afetos. Entre as páginas a emoção corria solta. Li a noite antes de dormir. No outro dia, ao levantar fui direto para a escrita que fluiu como nunca.

Descobri nesse momento o meu encontro com a oralidade, com o que havia de mais genuíno em mim – a minha própria história com a escrita.

Em novembro Ana Holanda ministrou dois cursos no Rio e eu fui em um deles.

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Curso Escrita criativa e afetuosa
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Curso de escrita criativa e afetuosa

Atualizei o que já havia escrito quando estava lendo o livro.

1 – Estar presente nas situações do cotidiano

Não preciso esperar acontecer algo extraordinário para escrever e sim estar presente. A escrita pressupõe estar na vida.

Não tenho feito grandes viagens ou expedições que poderiam me dar novas histórias e belas fotografias. No momento, o meu cotidiano tem sido o trabalho, o estudos e algumas redefinições. Esse cotidiano pode não ser espetacular para a maioria das pessoas, mas é intenso. São muitos altos e baixos,  descobertas constantes, tensões de prazos, de situações conflituosas, frustrações que levam repensar os caminhos possíveis, inquietações  com as escolhas, superação para seguir em frente, a incerteza com os desfechos.  Não é atoa que esse mês elegi como tópico a capacidade de reinvenção veja este post.

2 – Vamos conversar através do texto

Mesmo sendo um blog , alguns leitores são conhecidos e as postagens são de assuntos que tenho interesse. Algumas vezes repenso por que tenho este blog ? Por que quero escrever? Quem são os leitores? São muitas perguntas. Talvez, em primeiro momento, esse blog seja para mim mesma. Acredito que os principais benefícios são:

  • Ter um lugar próprio de  fala é imprescindível para encontrar a própria voz.
  • Organizar as referências de assuntos que tenho interesse, construindo um repositório público, pode ser útil para outras pessoas.
  • A busca da consistência é um exercício necessário para mim.

Algumas vezes recebo mensagens sobre o blog ou encontro com pessoas  conhecidas que comentam que gostaram de determinado assunto ou do blog. Acredito que eu ainda estou me encontrando nesse espaço e na escrita. A medida que isso acontece,  eu encontro leitores.

3 –  O texto ter a minha identidade

A escrita lhe pertence porque nunca deixou de lhe habitar

Eu venho de uma escrita técnica. Simplesmente descritiva, normativa e informativa. Por muitas vezes não quero me revelar na escrita. Com a leitura do livro, eu fui percebendo tantas histórias dentro de mim, a relação com a escrita e as minhas raízes com a oralidade. Ainda preciso escrever sobre isso. 

4 – Escrita é exercício de coragem

Logo no início do curso, na hora de fazer a minha apresentação eu perdi a fala. Ela sumiu e eu não queria falar absolutamente nada. Olhei para frente, para o lado e via vários olhinhos me olhando. Acredito que essa sensação é a mesma quando estou com uma página em branco em busca de uma história. Nesta hora eu me pergunto:

Qual história eu quero contar? 

Aqui está o meu livro autografado img_20181110_212551446 * Este post foi escrito originalmente em agosto, atualizei em novembro por conta do curso que fiz neste mês.

10 Comentários

Fernanda Marchini Publicado em21:17 - 2021-02-03

Acabei caindo aqui de paraquedas. Estava olhando sobre esse livro durante uma crise existencial sobre escrita, achei um amor suas palavras e me encontrei olhando para a tela do computador justamente em “Qual história eu quero contar?”. Estive pensando no por que eu escrevia e qual era o foco da maioria, também sobre a escrita ter virado um sonho que eu abandonei há anos. Seu texto está me fazendo repensar sobre tantas coisas agora, obrigada.

    Juliana Reis Publicado em11:47 - 2021-02-04

    Oi Fernanda!
    Que coisa boa ler isso. Em especial por conta do tempo que não escrevo aqui no blog.
    Como é bom nos nutrir para colocar nossa arte no mundo.
    Seu comentário me alcançou.
    Seguimos conectadas pela escrita.
    Um grande abraço

Marina Publicado em12:14 - 2020-08-05

Olá! Juliana! Parabéns!
Vc sabe quando terá outro curso online de escrita criativa?

    Juliana Reis Publicado em14:18 - 2020-08-05

    Oi Marina, muito obrigada!
    Eu não sei quando terá um novo curso online de Escrita criativa. Vale acompanhar a Ana Holanda nas redes sociais e acessar o site para saber notícias. O mês passado (julho) eu participei de uma oficina de escrita terapêutica, com Rosângela Bicalho. Simplesmente adorei!!! Vou escrever um post da minha experiência aqui no blog. Esse mês terá continuidade e eu farei.

Carlos Alberto Silva Publicado em20:41 - 2018-11-14

Oi, Juliana.
Estar sendo observado por muitos. E sinto dificuldade diante do papel branco.

    Juliana Reis Publicado em08:44 - 2018-11-15

    Oi Carlos Alberto,
    Pensar isso paralisa por conta do medo de se expor.
    Um conceito que a Ana Holanda fala é contar a história em camadas. E para ter histórias ou ideias observar o cotidiano.
    Um exercício escolher uma foto do celular e escrever sobre.
    Obrigada por comentar.

Ariela Salama Publicado em13:49 - 2018-09-20

Oi Juliana. Encontrei seu blog enquanto fazia uma pesquisa sobre o livro da Ana Holanda. Também quero lê-lo em breve. Seu post me ajudou muito. E gostei do seu texto, viu? Ter um blog hoje em dia é quase como um esconderijo em que todos têm acesso, mas que poucos conseguem encontrá-lo. Se é que você me entende. 😉 Desejo sorte e sucesso. Beijos! Ariela

    Juliana Reis Publicado em17:48 - 2018-09-20

    Oi Ariela,
    Muito obrigada pelo comentário!
    Gostei da ideia de esconderijo 😉
    Um grande abraço

contoseencontross Publicado em18:31 - 2018-09-09

Estou doida pra ler o livro e encontrei esse artigo muito bem escrito 🙂
Aguardo a atualização!!

Bjs Ju

    Juliana Reis Publicado em00:25 - 2018-09-10

    Obrigada por comentar! Espero fazer logo 🙂 É um livro transformador.

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